Covid-19

Demanda por leitos de UTI segue em alta

Prefeita pede apoio da população e não descarta novo lockdown se não houver redução nas internações

Os números da Covid-19 no município não param de crescer. Tanto que de 1° de janeiro de 2021 até segunda-feira (26), Pelotas já havia superado - em número de casos e óbitos em decorrência do novo coronavírus - o total de todo o 2020. Ciente da gravidade do momento, a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) fez um apelo aos pelotenses e, caso não surta efeito, deixou em aberto a possibilidade de um novo lockdown na cidade.

Nos nove meses desde o primeiro caso de Covid no ano passado, o município somou 15.732 pessoas infectadas, com 274 óbitos. Na segunda, o boletim da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou mais mortes pela doença, elevando o total de vidas pedidas para 681. O total de pelotenses já infectados pelo vírus é de 31.988. Só em 2021 foram 407 óbitos e 16.256 casos positivos.

“O município atribui esse aumento, tanto no número de casos quanto de mortes, efetivamente, a uma segunda onda da doença, mais grave que a primeira. Os dados científicos colaboram com esse apontamento, de que as novas variantes que apareceram - tanto a de Manaus quanto a do Rio de Janeiro e do Reino Unido -, são mais contagiosas, e em alguns casos agravam mais a situação dos pacientes”, destacou a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB).

Embora os dados assustem, existe uma taxa que vem apresentando uma pequena queda em relação às semanas anteriores: a quantidade de pessoas internadas em leitos Covid. Se no dia 28 de março Pelotas tinham 190 pessoas necessitando de maiores cuidados, ontem esse número era de 135 pacientes. Por outro lado, o número de pessoas que precisam de leitos de UTI segue alto. Ontem, 59 dos 64 leitos estavam ocupados.

Em uma live transmitida pelas redes sociais da prefeitura, Paula fez um pedido aos pelotenses. “Estou fazendo essa live para pedir ajuda à população de Pelotas, pedir colaboração. Nós temos percebido, nos últimos dias, uma leve diminuição nos novos contágios e também no número geral de hospitalizações. O que é uma boa notícia. No entanto, não temos visto uma queda na internação nas UTIs, ou seja, as pessoas internadas continuam tendo seus casos agravados e nós temos, todos os dias, fila de espera por leitos de UTI (...) ainda não vemos um diminuição na demanda por UTIs e não temos mais como ampliar, já ampliamos ao máximo, não temos mais equipes. Nós precisamos contar com a colaboração de cada pelotense para que a gente possa vencer esse vírus”, afirmou.

A fala da prefeita é amparada na ciência. Conforme destaca o epidemiologista e pesquisador da Epicovid-19, Fernando Barros em artigo publicado no site do DP, o distanciamento físico entre as pessoas, exame frequente com teste PCR para detecção e isolamento de pessoas infectadas e seus contactantes como medidas essenciais para o controle da pandemia.

Mais restrições
Segundo a chefe do Executivo, caso não haja uma queda nos números, existe a possibilidade de que o município volte a adotar medidas mais restritivas contra a Covid-19. Diz ela que o lockdown é uma possibilidade e tudo será definido junto ao Comitê, como vai acontecer, qual será o modelo e por quantos dias. “Isso não está definido, é uma possibilidade no horizonte. A gente fez uma live hoje (ontem), pedindo a ajuda e a colaboração dos pelotense para o respeito aos protocolos, no intuito de evitar restrições mais rígidas, que a gente sabe que afetam demais a vida das pessoas, a economia e os empregos. Depois de mais de um ano de pandemia, gostaríamos de evitar esse tipo de atitude, mas obviamente preservar vidas ainda é o valor mais importante e vai continuar sendo”, disse Paula.

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